Zirbo
Onde a oliveira desafia o planalto: a história de como esta terra fria se tornou, contra as probabilidades, uma origem de azeite reconhecida.
A presença da oliveira em Trás-os-Montes remonta provavelmente à romanização, introduzida ao longo dos vales encaixados do Douro e do Sabor — onde o microclima, mais ameno do que o planalto envolvente, permite o que a Terra Fria recusa. É nesses vales, e não nas terras altas, que a azeitona sempre encontrou o seu lugar na região.
Já no século XVIII, o médico Francisco da Fonseca Henriques recomendava, na sua obra Medicina Lusitana, comer pão quente com azeite novo saído diretamente do lagar — prova de uma tradição de consumo com séculos de enraizamento popular.
Hoje, a região tem direito a uma Denominação de Origem Protegida própria — a Azeite de Trás-os-Montes DOP —, que abrange concelhos como Mirandela, Vila Flor, Alfândega da Fé, Macedo de Cavaleiros, Vila Nova de Foz Côa e Carrazeda de Ansiães, entre outros. É uma das denominações de origem mais antigas e consagradas de Portugal, sustentada por regras rígidas de produção, colheita e engarrafamento na própria região.
O concelho de Mirandela — também conhecido pela sua alheira — concentra os olivais mais importantes da região, ocupando cerca de 35% da sua área agrícola.
O perfil do azeite transmontano nasce do equilíbrio entre quatro variedades autóctones:
O resultado é um azeite equilibrado, de cor amarelo-esverdeada, com aroma e sabor a fruto fresco — por vezes amendoado — e uma sensação notável de doce, verde, amargo e picante em conjunto. São estas características particulares que distinguem o azeite de Trás-os-Montes dos restantes azeites do país.
É este terroir — e não ainda uma certificação — que Zirbo procura honrar.